segunda-feira, 28 de junho de 2010

Pagu - Parte I

Caros Amigos, não poderia deixar de encerrar o mês de junho lembrando a nossa Pagu, a grande escritora, jornalista e militante política Patrícia Galvão (09/06/1910 - 12/121962).
Tantos artistas e escritores se inspiraram na história desta grande mulher para compor seus poemas, versos e cansões. Tantos outros anônimos sonhadores e mulheres lutadoras se espelharam na história de amor, luta, resistência, dor, fragilidade e coragem da nossa eterna Pagu.
Vejamos a seguir, algumas fortes e densas palavras da grande Patrícia Galvão, para que possamos reunir forças e seguir a nossa caminhada de Sonho e Resistência:



“Quando eu morrer não quero que chorem a minha morte/ Deixarei meu corpo pra vocês...”

" Dentro da lei...nha..."


"Se eu ainda tivesse unhas, enterraria meus dedos nesse espaço em branco que ainda resta"


"O apito da chaminé gigante, libertando uma humanidade inteira que se escoa para as ruas da miséria."


"De um país tão rico e importante, fizeram um país de sobremesas. Açúcar, café, bananas.
Que pelo menos nós sobrem as bananas!"


"Esse crime, o crime sagrado de ser divergente, nós o cometeremos sempre"

Nada, nada, nada
Nada mais do que nada
(...) Trouxeram-me camélias brancas e vermelhas
Uma linda criança sorriu-me quando eu a abraçava
Um cão rosnava na minha estrada
(...) Abri meu abraço aos amigos de sempre
Poetas compareceram
Alguns escritores
Gente de teatro
Birutas no aeroporto
E nada”

"É uma necessidade conversar com os poetas. E se os poetas morrerem, provocarei os mortos, as flores do mal que estão na minha estante."


" Quero ir bem alto... Bem alto! Numa sensação de saborosa superioridade... É que do outro lado do muro, tem uma coisa que eu quero espiar.. "

Cronologia

1910
9 de junho. Nasce Patrícia Rehder Galvão, filha de Thiers Galvão de França e Adélia Rehder Galvão, em São João da Boa Vista (SP).  O registro de nascimento é de 14 de junho, data às vezes erroneamente citada como a do nascimento.
1925
Primeiras colaborações no Brás Jornal; primeiro pseudônimo: Patsy.
Frequenta o Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, onde é aluna de Mário de Andrade e de Fernando Mendes de Almeida.
1927
Perde o Concurso Fotogênico de Beleza Feminina e Varonil, da Fox. Quem ganha é Lia Torá, o vencedor masculino é Olympio Guilherme, que parte para Hollywood. Antes, tivera um namoro com Patrícia.
1928
Vai às reuniões do casal Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral. Raul Bopp é quem a teria apresentado aos dois.
Bopp reivindica a criação do apelido Pagu (dado por achar que seu nome fosse Patrícia Goulart).
Recebe o diploma de professora na Escola Normal de São Paulo.
1929
Primeira colaboração na Revista da Antropofagia (um desenho, no número 2 da 2a “dentição”).
No número 8, publica novo desenho, assinado Pagu.
Produz o Álbum de Pagu – Nascimento Vida Paixão e Morte, composto de textos e desenhos humorísticos.
Começa o diário (com Oswald de Andrade), Romance da época anarquista ou Livro das horas de Pagu que são minhas. A data é 24 de maio, que Augusto de Campos afirma “poder ser o dia do início do romance entre os dois”.
Em 5 de junho, declama poemas modernistas numa festa beneficente, vestida por Tarsila.
Casa-se a 28 de setembro com o pintor Waldemar Belisário; o casamento é pró-forma. Após a cerimônia civil, Oswald recebe a noiva de Belisário, no alto da serra de Santos e, enquanto o pintor volta a São Paulo, Oswald e seu filho Nonê se juntam a Patrícia, rumo à praia. O casamento com Belisário seria anulado em fevereiro de 1930.
Inicia o Caderno de Croquis, com paisagens e cenários de cidades brasileiras.
1930
Oswald de Andrade e Patrícia Galvão fazem um casamento peculiar, no cemitério, diante do jazigo da família dele, em São Paulo, a 5 de janeiro.
Nasce Rudá de Andrade, filho de Oswald e Patrícia, a 25 de setembro.
Viaja em dezembro para Buenos Aires. Ali não consegue se encontrar com Luís Carlos Prestes, a quem conheceria depois, em Montevidéu, mas trava contatos com Jorge Luís Borges, Eduardo Mallea, Victoria Ocampo e Norah Borges.
1931
Entra no Partido Comunista Brasileiro.
Publica a seção A Mulher do Povo no jornal O Homem do Povo, que editou juntamente com Oswald. O jornal seria proibido pela polícia após oito números polêmicos que valeram o empastelamento do seu escritório por estudantes da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo. No jornal também cria e desenha uma história em quadrinhos.
É presa, a 23 de agosto, em Santos (SP), ao participar de um comício em homenagem a Sacco e Vanzetti, quando um estivador negro morre em seus braços, fuzilado pela polícia getulista. É levada para o cárcere na Praça dos Andradas. A cadeia é hoje um centro cultural que leva o seu nome.
1932
Vai morar numa vila operária, no Rio de Janeiro, cidade em que trabalha como proletária em vários ofícios, entre os quais lanterninha de cinema e tecelã.
Debilitada e doente, é socorrida por Oswald.
Escreve o romance proletário Parque Industrial e peça de teatro nele baseada.
1933
Publica o romance Parque industrial, em janeiro. O livro, primeiro romance proletário brasileiro, tem edição financiada por Oswald e sai assinado por Mara Lobo, pseudônimo exigido pelo Partido Comunista.
Em agosto, começa viagem pelo mundo, enviando reportagens para jornais como o Diário de Notícias e o Correio da Manhã cariocas e o Diário da Noite paulistano. O itinerário: Rio, Belém, Califórnia, Japão, China, Rússia, Polônia, Alemanha, França. Encontros: Sigmund Freud num navio; George Raft, Raul Roulien e Miriam Hopkins, em Hollywood; Raul Bopp, em Cobe, no Japão.
1934
Fica amiga do último imperador, Pu-Yi, com quem anda de bicicleta pelos corredores do palácio da corte manchu. Consegue dele, na Mandchuria, as sementes de soja que iniciam a cultura do cereal no Brasil.
Após visitar a Rússia, mesmo decepcionada com o regime comunista, trabalha em Paris no jornal L’Avant-Garde e como tradutora de filmes. Com o pseudônimo de Léonie, entra para o PC francês. É ferida em manifestações de rua e presa três vezes. Encontros: a vanguarda francesa – Louis Aragon, André Breton, Paul Éluard, René Crevel, em casa da amiga e cantora brasileira Elsie Huston, casada com o poeta Benjamin Péret.
1935
A ponto de ser deportada para a Alemanha nazista, é salva pelo embaixador brasileiro Souza Dantas, que consegue recambiá-la para o Brasil. De volta, trabalha no jornal A Platéia, em São Paulo.
Separa-se de Oswald de Andrade.

1936

É presa por causa do levante comunista. Absolvida em São Paulo, é condenada a dois anos de prisão no Rio.

1937

Antes de cumprir toda a pena, foge do hospital Santa Cruz. Aparece nos jornais como uma mulher perigosa e inimiga pública do governo de Getúlio Vargas.

1938

Nova prisão. O Tribunal Nacional de Segurança do Estado Novo getulista a condena a mais dois anos de prisão.
1939
Escreve, na prisão, Microcosmo – Pagu e o homem subterrâneo. Correspondência, textos poéticos complementares (os únicos preservados) de romance que enterrou em terreno baldio, antes de ser detida, em São Paulo. No local foi construído um edifício, antes que pudesse desenterrar o romance.
1940
Começa a redigir, na cadeia, carta autobiográfica dirigida a Geraldo Ferraz, depois editada no livro Paixão Pagu.
É libertada e se casa com Geraldo Ferraz.
1941
Nasce Geraldo Galvão Ferraz, filho do casal, a 18 de junho.
1942
Em São Paulo, publica crônicas em A Noite, sob o pseudônimo Ariel.
1943
Trabalha nos jornais cariocas A Manhã e O Jornal.
1944
De junho a dezembro, escreve contos policiais para a revista Detective.
1945
Publica o romance A Famosa Revista, escrito com Geraldo Ferraz. No Rio e em São Paulo, trabalha na agência de notícias France-Presse, onde fica 11 anos.
Participa da redação do jornal A Vanguarda Socialista, fundado por Mário Pedrosa e secretariado por Geraldo Ferraz. Ali também publica crônicas políticas e literárias.
1946
Faz com Geraldo Ferraz o Suplemento Literário do jornal Diário de São Paulo.
Escreve crônicas da vida cultural na coluna Cor Local e produz a Antologia da Literatura Estrangeira, onde traduz pela primeira vez no Brasil grandes nomes da poesia e da prosa mundial.
1948
Importante participação no Congresso de Poesia, em São Paulo.
1949
Tentativa de suicídio. Colabora no Jornal de São Paulo.
1950
É candidata a deputada estadual em São Paulo, pelo Partido Socialista Brasileiro.
Publica o panfleto Verdade e Liberdade. Trabalha no jornal Fanfulla.
1952
Frequenta a Escola de Arte Dramática.
1954
Escreve a peça Fuga e Variações, parte do exercício escolar.
Traduz A Cantora Careca, de Ionesco.
Morando em São Vicente e Santos, trabalha no jornal A Tribuna.
1956
Começa uma das primeiras colunas de tevê no país com o pseudônimo Gim, em A Tribuna.
1958
Dirige, com Paulo Lara, Fando e Lis, de Fernando Arrabal.
Coordena o I Festival de Teatro Amador de Santos e Litoral. Incentivando o teatro de vanguarda.
1960
Encontros com Jean-Paul Sartre e Eugéne Ionesco, em São Paulo e Rio.
Traduz e dirige A Filha de Rappaccini, de Octavio Paz, em Santos.
1961
Traduz a peça O Túnel, de Par Lagerkvist.
1962
Em setembro, publica seu último texto, em A Tribuna, o poema Nothing.
Vai a Paris para uma operação. Tentativa de suicídio, após o fracasso da intervenção.
Morre em Santos, a 12 de dezembro.


Fontes e sugestões:

Mergulhem nesta história e construam suas narrativas únicas, infinitamente especiais!
Saudações Literárias

 


1 comentários:

joemar disse...

A Correspondência de Frandique Mendes é um retrato e um espelho da visão psicológica e socio-cultura de Eça de Queiroz.Um dandi-diletante,um homem de uma visão além do seu tempo,eu diria que Eça construiu uma imagem de um Deus Grego.Fenomenal.Ainda deixando seu caráter enigmático...(Joemar Rios)

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