terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Leitura para as férias

Caros amigos,
Para as férias, mar, sol, viagens, flores, vinho, brincadeiras, família e muita leitura.
Estou enveredando pela maravilhosa leitura de A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón.
Por enquanto, fica a dica de uma leitura enigmática, cuja vida das personagens se confunde com o mistério da literatura e da busca enigmática pelo autor de um livro esquecido. A aventura, o suspense e o mistério temperam a obra.
Assim que finalizar a leitura, deixarei aqui, as minhas impressões.
Fica a dica:
Saudações Literárias!!!

domingo, 2 de dezembro de 2012

Os sinos - Manuel Bandeira



Sino de Belém, Sino da paixão...
Sino de Belém, Sino da paixão...
Sino do Bonfim!...
Sino do Bonfim!...
Sino de Belém, pelos que ainda vêm!
Sino de Belém, bate bem-bem-bem.
Sino da paixão, pelos que ainda vão!
Sino da paixão, bate bão-bão-bão.
Sino do Bonfim, por que chora assim?...
Sino de Belém, que graça ele tem!
Sino de Belém bate bem-bem-bem.
Sino da paixão.
- pela minha irmã!
Sino da paixão.
 - pela minha mãe!
Sino do Bonfim, que vai ser de mim?...
Sino de Belém, como soa bem!
 Sino de Belém bate bem-bem-bem.
Sino da paixão...
Por meu pai?...-Não! Não!
Sino da paixão bate bão-bão-bão.
Sino do Bonfim, baterás por mim?...
Sino de Belém, Sino da paixão...
Sino da paixão, pelo meu irmão...
Sino da paixão, Sino do Bonfim...
Sino do Bonfim, ai de mim, por mim!
Sino de Belém, que graça ele tem!

Versão imperdível de Manuel Bandeira para a criançada:
Os Sinos

Os Sinos

Autor : Manuel Bandeira
Ilustrador : Gonzalo Cárcamo
No poema Os sinos, Manuel Bandeira revela sua capacidade de trabalhar a sonoridade e o ritmo das palavras e transformar o significado das coisas mais simples do cotidiano em lirismo de alta qualidade literária.
Sino de Belém,/ Sino da Paixão.../ Sino de Belém,/ Sino da Paixão... (...)/ Sino da Paixão, pelos que lá vão!/ Sino da Paixão bate bão¬ bão¬ bão.(...)/ Sino de Belém, como soa bem!/ Sino de Belém bate bem¬ bem¬ bem. 
Observa¬ se na construção do poema que a repetição de palavras - sino, Paixão, Belém, bem¬ bem¬ bem, bão¬ bão¬ bão - evoca os sons das badaladas, o balançar dos sinos como uma música nostálgica e mágica.
O poema, embora com seus múltiplos significados, é acessível ao público infantil pela forma criativa com que o autor apropria¬ se dos signos linguísticos.


Saudações Literárias!!

Música para fim de ano

Esta música é muito alto astral, muito feliz. Oportuna para os momentos maravilhosos deste fim de ano.
Confira:


Simples Desejo
Que tal abrir a porta do dia,dia
Entrar sem pedir licença
Sem parar pra pensar,
Pensar em nada…
Legal ficar sorrindo à toa,toa
Sorrir pra qualquer pessoa
Andar sem rumo na rua
Pra viver e pra ver
Não é preciso muito
Atenção, a lição
Está em cada gesto
Tá no mar, tá no ar
No brilho dos seus olhos
Eu não quero tudo de uma vez
Eu só tenho um simples desejo
Hoje eu só quero que o dia termine bem
Hoje eu só quero que o dia termine muito bem (2X)
Legal ficar sorrindo à toa,toa
Sorrir pra qualquer pessoa
Andar sem rumo na rua
Pra viver e pra ver
Não é preciso muito não
Atenção, a lição
Está em cada gesto
Tá no mar, tá no ar
No brilho dos seus olhos
Eu não quero tudo de uma vez não
Eu só tenho um simples desejo
Hoje eu só quero que o dia termine bem
Hoje eu só quero que o dia termine muito bem (4X)




sábado, 3 de novembro de 2012

Cecília Meireles

Caros amigos

No dia 07 de novembro de 1901 nasceu Cecília Meireles, nossa inesquecível poetisa e escritora. Uma mulher e educadora, artista singular, eternizada pelas suas palavras.
Vamos então, conhecê-la um pouquinho:



Filha de Carlos Alberto de Carvalho Meireles, funcionário do Banco do Brasil S.A., e de D. Matilde Benevides Meireles, professora municipal, CecíliaBenevides de Carvalho Meireles nasceu em 7 de novembro de 1901, na Tijuca, Rio de Janeiro. Foi a única sobrevivente dos quatros filhos do casal. O pai faleceu três meses antes do seu nascimento, e sua mãe quando ainda não tinha três anos. Criou-a, a partir de então, sua avó D. Jacinta Garcia Benevides. Escreveria mais tarde:

"Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno.

(...) Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção ou o sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade.

(...) Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais tarde foi nessa área que os livros se abriram, e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano."
Conclui seus primeiros estudos — curso primário — em 1910, na Escola Estácio de Sá, ocasião em que recebe de Olavo Bilac, Inspetor Escolar do Rio de Janeiro, medalha de ouro por ter feito todo o curso com "distinção e louvor". Diplomando-se no Curso Normal do Instituto de Educação do Rio de Janeiro, em 1917, passa a exercer o magistério primário em escolas oficiais do antigo Distrito Federal.

Dois anos depois, em 1919, publica seu primeiro livro de poesias, "Espectro". Seguiram-se "Nunca mais... e Poema dos Poemas", em 1923, e "Baladas para El-Rei, em 1925.

Casa-se, em 1922, com o pintor português Fernando Correia Dias, com quem tem três filhas:  Maria Elvira, Maria Mathilde e Maria Fernanda, esta última artista teatral consagrada. Suas filhas lhe dão cinco netos.

Publica, em Lisboa - Portugal, o ensaio "O Espírito Vitorioso", uma apologia do Simbolismo.

Correia Dias suicida-se em 1935. Cecília casa-se, em 1940,  com o professor e engenheiro agrônomo Heitor Vinícius da Silveira Grilo.

De 1930 a 1931, mantém no Diário de Notícias uma página diária sobre problemas de educação.

Em 1934, organiza a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro, ao dirigir o Centro Infantil, que funcionou durante quatro anos no antigo Pavilhão Mourisco, no bairro de Botafogo.

Profere, em Lisboa e Coimbra - Portugal, conferências sobre Literatura Brasileira.

De 1935 a 1938, leciona Literatura Luso-Brasileira e de Técnica e Crítica Literária, na Universidade do Distrito Federal (hoje UFRJ).

Publica, em Lisboa - Portugal, o ensaio "Batuque, Samba e Macumba", com ilustrações de sua autoria.

Colabora ainda ativamente, de 1936 a 1938, no jornal A Manhã e na revistaObservador Econômico.

A concessão do Prêmio de Poesia Olavo Bilac, pela Academia Brasileira de Letras, ao seu livro Viagem, em 1939, resultou de animados debates, que tornaram manifesta a alta qualidade de sua poesia.

Publica, em 1939/1940, em Lisboa - Portugal, em capítulos, "Olhinhos de Gato" na revista "Ocidente".

Em 1940, leciona Literatura e Cultura Brasileira na Universidade do Texas (USA).

Em 1942, torna-se sócia honorária do Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro (RJ).

Aposenta-se em 1951 como diretora de escola, porém continua a trabalhar, como produtora e redatora de programas culturais, na Rádio Ministério da Educação, no Rio de Janeiro (RJ).

Em 1952, torna-se Oficial da Ordem de Mérito do Chile, honraria concedida pelo país vizinho. 

Realiza numerosas viagens aos Estados Unidos, à Europa, à Ásia e à África, fazendo conferências, em diferentes países, sobre Literatura, Educação e Folclore, em cujos estudos se especializou.

Torna-se sócia honorária do Instituto Vasco da Gama, em Goa, Índia, em 1953.

Em Délhi, Índia, no ano de 1953, é agraciada com  o título de Doutora Honoris Causa da Universidade de Délhi.

Recebe o Prêmio de Tradução/Teatro, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte, em 1962.

No ano seguinte, ganha o Prêmio Jabuti de Tradução de Obra Literária, pelo livro "Poemas de Israel", concedido pela Câmara Brasileira do Livro.

Seu nome é dado à Escola Municipal de Primeiro Grau, no bairro de Cangaíba, São Paulo (SP), em 1963.

Falece no Rio de Janeiro a 9 de novembro de 1964, sendo-lhe prestadas grandes homenagens públicas. Seu corpo é velado no Ministério da Educação e Cultura. Recebe, ainda em 1964, o Prêmio Jabuti de Poesia, pelo livro "Solombra", concedido pela Câmara Brasileira do Livro.

Ainda em 1964, é inaugurada a Biblioteca Cecília Meireles em Valparaiso, Chile.

Em 1965,  é agraciada com o Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra, concedido pela Academia Brasileira de Letras. O Governo do então Estado da Guanabara denomina Sala Cecília Meireles o grande salão de concertos e conferências do Largo da Lapa, na cidade do Rio de Janeiro. Em São Paulo (SP), torna-se nome de rua no Jardim Japão.

Em 1974, seu nome é dado a uma Escola Municipal de Educação Infantil, no Jardim Nove de Julho, bairro de São Mateus, em São Paulo (SP).

Uma cédula de cem cruzados novos, com a efígie de Cecília Meireles, é lançada pelo Banco Central do Brasil, no Rio de Janeiro (RJ), em 1989.

Em 1991, o nome da escritora é dado à Biblioteca Infanto-Juvenil no bairro Alto da Lapa, em São Paulo (SP).

O governo federal, por decreto, instituiu o ano de 2001 como "O Ano da Literatura Brasileira", em comemoração ao sesquicentenário de nascimento do escritor Silvio Romero e ao centenário de nascimento de Cecília Meireles, Murilo Mendes e José Lins do Rego.

Há uma rua com o seu nome em São Domingos de Benfica, uma freguesia da cidade de Lisboa. Na cidade de Ponta Delgada, capital do arquipélago dos Açores, há uma avenida com o nome da escritora, que era neta de açorianos.

Traduziu peças teatrais de Federico Garcia Lorca, Rabindranath Tagore, Rainer Rilke e Virginia Wolf.

Sua poesia, traduzida para o espanhol, francês, italiano, inglês, alemão, húngaro, hindu e urdu, e musicada por Alceu Bocchino, Luis Cosme, Letícia Figueiredo, Ênio Freitas, Camargo Guarnieri, Francisco Mingnone, Lamartine Babo, Bacharat, Norman Frazer, Ernest Widma e Fagner, foi assim julgada pelo crítico Paulo Rónai:

"Considero o lirismo de Cecília Meireles o mais elevado da moderna poesia de língua portuguesa.  Nenhum outro poeta iguala o seu desprendimento, a sua fluidez, o seu poder transfigurador, a sua simplicidade e seu preciosismo, porque Cecília, só ela, se acerca da nossa poesia primitiva e do nosso lirismo espontâneo...A poesia de Cecília Meireles é uma das mais puras, belas e válidas manifestações da literatura contemporânea.

Bibliografia
:
Tendo feito aos 9 anos sua primeira poesia, estreou em 1919 com o livro de poemas Espectros, escrito aos 16 e recebido com louvor por João Ribeiro.

Publicou a seguir:
Criança, meu amor, 1923
Nunca mais... e Poemas dos Poemas, 1923
Criança meu amor..., 1924
Baladas para El-Rei, 1925
O Espírito Vitorioso, 1929 (ensaio - Portugal)
Saudação à menina de Portugal, 1930
Batuque, Samba e Macumba, 1935 (ensaio - Portugal)
A Festa das Letras, 1937
Viagem, 1939
Vaga Música, 1942
Mar Absoluto, 1945
Rute e Alberto, 1945
Rui — Pequena História de uma Grande Vida, 1949 (biografia de Rui Barbosa para crianças)
Retrato Natural, 1949
Problemas de Literatura Infantil, 1950
Amor em Leonoreta, 1952
Doze Noturnos de Holanda & O Aeronauta, 1952
Romanceiro da Inconfidência, 1953
Batuque, 1953
Pequeno Oratório de Santa Clara, 1955
Pistóia, Cemitério Militar Brasileiro, 1955
Panorama Folclórico de Açores, 1955
Canções, 1956
Giroflê, Giroflá, 1956
Romance de Santa Cecília, 1957
A Bíblia na Literatura Brasileira, 1957
A Rosa, 1957
Obra Poética,1958
Metal Rosicler, 1960
Poemas Escritos na Índia, 1961
Poemas de Israel, 1963
Antologia Poética, 1963
Solombra, 1963
Ou Isto ou Aquilo, 1964
Escolha o Seu Sonho, 1964
Crônica Trovada da Cidade de Sam Sebastiam no Quarto Centenário da sua Fundação Pelo Capitam-Mor  Estácio de Saa, 1965
O Menino Atrasado, 1966
Poésie (versão para o francês de Gisele Slensinger Tydel), 1967
Antologia Poética, 1968
Poemas italianos, 1968
Poesias (Ou isto ou aquilo & inéditos), 1969
Flor de Poemas, 1972
Poesias completas, 1973
Elegias, 1974
Flores e Canções, 1979
Poesia Completa, 1994
Obra em Prosa - 6 Volumes - Rio de Janeiro, 1998
Canção da Tarde no Campo, 2001
Episódio humano, 2007

Teatro:
1947 - O jardim 
1947 - Ás de ouros
Observação: "O vestido de plumas"; "As sombras do Rio"; "Espelho da ilusão"; "A dama de Iguchi" (texto inspirado no teatro Nô, arte tipicamente japonesa), e "O jogo das sombras" constam como sendo da biografada, mas não são conhecidas.
OUTROS MEIOS:
1947 - Estréia "Auto do Menino Atrasado", direção de Olga Obry e Martim Gonçalves. música de Luis Cosme; marionetes, fantoches e sombras feitos pelos alunos do curso de teatro de bonecos.
1956/1964 - Gravação de poemas por Margarida Lopes de Almeida, Jograis de São Paulo e pela autora (Rio de Janeiro - Brasil)

1965 - Gravação de poemas pelo professor Cassiano Nunes (New York - USA).

1972 - Lançamento do filme "Os inconfidentes", direção de Joaquim Pedro de Andrade, argumento baseado em trechos de "O Romanceiro da Inconfidência".

Dados obtidos em livros da autora e sobre ela, e no site do Itaú Cultural.
Fonte:  http://www.releituras.com/cmeireles_bio.asp

Compras de Natal


Cecília Meireles

A cidade deseja ser diferente, escapar às suas fatalidades. Enche-se de brilhos e cores; sinos que não tocam, balões que não sobem, anjos e santos que não se movem, estrelas que jamais estiveram no céu.

As lojas querem ser diferentes, fugir à realidade do ano inteiro: enfeitam-se com fitas e flores, neve de algodão de vidro, fios de ouro e prata, cetins, luzes, todas as coisas que possam representar beleza e excelência.

Tudo isso para celebrar um Meninozinho envolto em pobres panos, deitado numas palhas, há cerca de dois mil anos, num abrigo de animais, em Belém.


Todos vamos comprar presentes para os amigos e parentes, grandes e pequenos, e gastaremos, nessa dedicação sublime, até o último centavo, o que hoje em dia quer dizer a última nota de cem cruzeiros, pois, na loucura do regozijo unânime, nem um prendedor de roupa na corda pode custar menos do que isso.



Grandes e pequenos, parentes e amigos são todos de gosto bizarro e extremamente suscetíveis. Também eles conhecem todas as lojas e seus preços — e, nestes dias, a arte de comprar se reveste de exigências particularmente difíceis. Não poderemos adquirir a primeira coisa que se ofereça à nossa vista: seria uma vulgaridade. Teremos de descobrir o imprevisto, o incognoscível, o transcendente. Não devemos também oferecer nada de essencialmente necessário ou útil, pois a graça destes presentes parece consistir na sua desnecessidade e inutilidade. Ninguém oferecerá, por exemplo, um quilo (ou mesmo um saco) de arroz ou feijão para a insidiosa fome que se alastra por estes nossos campos de batalha; ninguém ousará comprar uma boa caixa de sabonetes desodorantes para o suor da testa com que — especialmente neste verão — teremos de conquistar o pão de cada dia. Não: presente é presente, isto é, um objeto extremamente raro e caro, que não sirva a bem dizer para coisa alguma.

Por isso é que os lojistas, num louvável esforço de imaginação, organizam suas sugestões para os compradores, valendo-se de recursos que são a própria imagem da ilusão. Numa grande caixa de plástico transparente (que não serve para nada), repleta de fitas de papel celofane (que para nada servem), coloca-se um sabonete em forma de flor (que nem se possa guardar como flor nem usar como sabonete), e cobra-se pelo adorável conjunto o preço de uma cesta de rosas. Todos ficamos extremamente felizes!

São as cestinhas forradas de seda, as caixas transparentes os estojos, os papéis de embrulho com desenhos inesperados, os barbantes, atilhos, fitas, o que na verdade oferecemos aos parentes e amigos. Pagamos por essa graça delicada da ilusão. E logo tudo se esvai, por entre sorrisos e alegrias. Durável — apenas o Meninozinho nas suas palhas, a olhar para este mundo.

Texto extraído do livro "
Quatro Vozes", Editora Record - Rio de Janeiro, 1998, pág. 80.
Fonte:  http://www.releituras.com/cmeireles_compras.asp



sexta-feira, 26 de outubro de 2012

"Como são pequenas as coisas de que gosto"

Caros amigos,

Em Lendo Lolita em Teerã, obra já comentada por aqui, a autora faz referência aos versos do poema "Como são pequenas as coisas de que gosto".
Hoje me peguei pensando nisso.
Como são pequenas as coisas de que gosto:

Uma lua cheia
uma maré vazante
e corais expostos
Uma tardinha inteira
com tons de rosa e lilás
Pedrinhas
Conchinhas
Brisas de maré enchendo
O sorriso da minha filha
E todos os seus desdobramentos
em explosivas gargalhadas
Seu olhar de mar
Sua voz doce...

A voz da minha mãe
no outro lado da linha:
"Acorda, menina!"

Gente, gente, gente...
O calor do abraço
o cafuné... saudades
A correnteza
A palavra

Mas, espera...
Estas coisas são grandes demais!!
Como são gigantescas as coisas de que gosto!
Nossa, como sou ambiciosa em querer tê-las
Mas, impossível não sê-las

V Seminário "Consciência que Liberta - Relação Mídia X Racismo " em Salvador


A Escola Adalgisa Souza Pinto, sob a organização da pedagoga Débora Simões, realiza o V Seminário "Consciência que Liberta - Relação Mídia X Racismo " na próxima quinta (08/11) a partir das 8hs ,no Auditório do Centro Comunitário São Francisco de Assis , no Largo da Lapinha . O evento tem como como público alvo educadores, gestores sociais e estudantes.
 
   Programação
 
08h00: Credenciamento 08h30min - Apresentação do filme” A Negação do Brasil”- O Negro nas Telenovelas Brasileiras.
09h00 Palestra "Consciência que Liberta - Relação Mídia X Racismo" com Profª Ana Célia - Universidade do Estado da Bahia (UNEB)
09h30min- Talk-show com os convidados:
 Cristóvão da Silva – Ator de Ó pai Ó,filme e minissérie da Rede Globo.
 Luís Bandeira –Diretor Teatral Rejane Maya - Atriz de” Ó paí Ó” e atualmente na novela Gabriela da Rede Globo.
Staél Kyanda Machado-Atriz da peça Teatral Rebento, poeta e educadora.
 
Inscrições e Informações : Profª Débora Simões (debsimoescosta01@hotmail.com)

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Considerações sobre a leitura



A leitura dos textos disponibilizados por Andrea, pedagoga da rede Emredando Leituras, trouxe diversas reflexões a respeito do nosso papel enquanto responsáveis pela difusão do livro e da leitura. Ao mesmo tempo me encorajou a tomar atitudes que já vinham me inquietando a algum tempo. Mas vamos aos textos. Depois compartilho estas inquietações.

Em “Bibliotecas como fator de desenvolvimento”,  Fontelles chama atenção imediata para o quão é antiga a nossa primeira biblioteca pública. Data do século XIX, caracterizando-se como uma das metas do programa de emancipação do nosso país. Fiquei a refletir como tivemos tanto avanço em relação à estrutura física, arquitetônica e como pouco avançamos em relação à estrutura simbólica, cultural. Isto constata o quanto o conhecimento e o domínio da leitura e escrita são utilizados como instrumentos de poder, segregação e consequente alienação.

Num país onde de quatro pessoas apenas uma ler, se falar de difusão do livro e da leitura é mais que uma meta pedagógica ou política; é uma necessidade de humanizar o ser humano; de garantir a qualidade humana de pensar, fruir e criar em diversa nuances e dimensões. Vivemos ainda numa sociedade meritocrática, onde não ler implica em aceitação, pobreza, subemprego, conformismo e ostracismo. Ler implica em status, desalienação, consciência crítica, reflexão, inclusão, e transformação. Atentemos para a carga semântica de cada uma destas palavras em destaque, para o que elas representam de fato na vida de cada brasileiro. Ainda que o leitor consciente não queira atingir determinado status, tenha preferido viver com simplicidade, por ter outros ideais que se sobreponham aos financeiros, este leitor teve o direito de escolha. Ainda que leitura não signifique a garantia de ascensão financeira, garante o direito de compreensão da realidade, de escolha.

Eis uma palavra que está implícita neste contexto: escolher. O brasileiro e a brasileira estão, estamos acostumados a viver de maneira fatalista, como se a nossa existência fosse consequência inexorável da natureza e da sociedade. Ainda é muito comum ouvir frases, como “Fazer o que? Foi Deus quem quis assim”; “A sociedade não tem mais jeito”; “É culpa destes políticos corruptos”; “Vai ser sempre assim: os fortes sempre vão vencer e os mais fracos vão ser excluídos”; “Eu não aprendi a vida toda, não vou aprender agora”.

Estas frases que estão no domínio do senso comum reproduzem concepções que datam a Idade Média, quando se pensava na fatalidade da vida e nos mistérios da existência. Mas o Renascimento trouxe o Ser Humano, o colocou no centro das atenções e valorizou a sua estética, a sua capacidade de pensar, de criar e consequentemente, a sua vaidade e capacidade de excluir.

Ler sempre foi um privilégio de poucos. Só os aristocratas e sacerdotes, os pensadores e cientistas; depois os pesquisadores e professores poderiam ler. Aos pobres, camponeses, plebeus e plebeias não era dado esse direito. No entanto, com o caminhar dos séculos, descobre-se que a leitura também pode ser uma ferramenta de dominação. Então, ensina-se a ler para que todos possam ter acesso aos livros sagrados, aos manuais e às regras; para que aceitem e aprendam a viver de acordo com as ideias dos grupos dominantes.

Mas o ser humano é este ser único, que transgride e refaz a sociedade. Assim, figuras como Paulo Freire trazem a prática da democratização da leitura, assumindo-a como um ato político que conduz os leitores de mundo à descoberta do direito à escolha; do direito a ter direitos.

Já se passou uma década do novo milênio e as mudanças ainda são tímidas. Continuamos vivendo num país de iletrados. O acesso à educação de qualidade continua sendo um privilégio de poucos. Com a campanha nacional de democratização do livro e da leitura, centenas de escolas públicas e particulares criaram uma biblioteca ou uma sala de leitura. No entanto, a maioria delas permanece a maior parte do tempo fechada, exercendo a função de depósito de livros. 

Poucas escolas, tomando como referência o contexto nacional, evidenciam uma biblioteca que funcione de acordo com a Lei 12244[2]. Que tenha um planejamento pedagógico, uma prática de mediação e uma atuação junto à comunidade do seu entorno. Mas convém ressaltar que estas poucas bibliotecas, com a ajuda principalmente da comunidade e da iniciativa privada, fazem a diferença. São relatos de experiência, registros que se sobressaem, ganhando projeção em meio à sociedade. Haja vista as experiências citadas no texto “Os segredos das melhores bibliotecas”[3]. Dentre elas, podemos citar o Ônibus Bibliioteca, o Jegue-livro, Biblioteca Volante, dentre outros.

Ressalto aqui, as iniciativas da Rede Emredando Leituras, da qual a Biblioteca de Ítalo faz parte. Cada Biblioteca desta rede faz um trabalho primoroso de atendimento à comunidade periférica de Salvador. O cuidado com a prática do livro e da leitura, com cada criança, jovem e adulto que vem à biblioteca fica evidente no desempenho de cada uma das pessoas que compõem esta rede de fios infinitos, parafraseando Heloísa Prieto:

Todo contato humano se dá por meio de uma leitura, em seu sentido mais amplo: lêem-se as histórias que possuem aquela criança, as histórias que ela deseja possuir, as histórias que tocam as da criança e se esse momento for tratado com cuidado e carinho, nascerá toda uma nova família de histórias, uma rede delicada cuja beleza poderá gerar fios que se entrelaçam infinitivamente.

As mediações de leitura realizadas em cada biblioteca despontam de diferentes lugares e pessoas, e se agregam, se entrelaçam a cada encontro da Rede. Assim, o leitor imersivo, aquele que lê e recria a própria leitura, influenciando na escrita do autor, e porque não dizer do mediar, transborda as suas histórias, se espraia nas areias da ficção, e transforma a realidade. O papel da leitura é assim, ainda que se pondere, teorize ou conjecture, imensurável, porque é subjetivo, único e transcende espaço e tempo.

A razão da biblioteca na vida de uma comunidade se confunde assim, com a razão do livro na vida de uma pessoa. E a mediadora, o mediador são como pontes, como meios por onde cada pessoa transita para atingir o seu alimento e saciar a sua fome da palavra. Precisamos de ter mais fome!!!

O ser humano é o único animal que cria. E a linguagem é a força projetiva, o cerne e o veículo dessa criação. É por meio da palavra, seja ela escrita, contada ou cantada, que o pensamento se propaga, se refaz, cria forma, imagem, cor e sentimento. É ouvindo as histórias que a criança e adolescente se conectam com o seu universo de possibilidades, e estreitam laços, sentem-se acolhidos e amados.

Além desta capacidade de recriar-se e recriar o meio, a partir do contato com a leitura, há a fruição. A esse respeito, Delmanto[4] questiona:

Chamamos prazer ao ato de ler sem nenhuma imposição? Prazer é algo que causa dor ou aborrecimento? É sinônimo de preenchimento do tempo livre? É algo desvinculado da necessidade, do esforço? Trabalho e prazer se opõem de maneira excludente?

Estes questionamentos nos conduzem a uma reflexão mais cuidadosa sobre a questão da fruição e sobre a leitura como o trabalho, um labor, um exercício constante. A tendência que temos a dicotomizar tudo que há, nos conduz também a dicotomizar a leitura e suas finalidades. Ler por prazer ou ler para aprender; ler para passar o tempo ou para trabalhar. Desta forma tendemos a simplificar demais as possibilidades de leitura, suas causas e efeitos.

Verificamos que quanto mais mergulhamos neste universo, mais possibilidades tempos de conseguir solucionar questões internas e externas através da leitura. Estas possibilidades conduzem ao estado de fruição,seja qual for a finalidade primeira da leitura, seja qual for o seu objeto.

Dessa forma, a leitura permite dialogar com o autor, com o contexto, consigo mesmo, de maneira que as diversas sensações e sentimentos brotem, à medida que palavras e imagens desfilam na retina ou nos dedos de cada um.

É preciso, portanto, criar condições para que as pessoas leiam, desejem ler e tenham a garantia de que o seu direito á leitura será respeitado; de que cada um não será prejulgado por escolher ler ou não ler, de que cada um em bem maior que um livro e cada livro pode ser bem maior do que muitas imagens.

 

 

 

                                                              



[1][1] Pedagoga, coordenadora pedagógica da Biblioteca de Ítalo. Texto disponibilizado nos blogs:
 
[2] LEI Nº 12.244, DE 24 DE MAIO DE 2010
Dispõe sobre a universalização das bibliotecas nas instituições de ensino do País. Disponível em: http://www.cfb.org.br/UserFiles/File/Legislacao/Lei%2012244.pdf
[3][3] Disponível em: http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/melhores-bibliotecas-485917.shtml Consulta realizada em 26/04/2011
[4] A mediação da leitura à luz da concepção de aprendizado socialmente elaborado

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Lendo Lolita em Teerã - memórias de uma resistência literária. Autora: Azar Nafisi.

Este livro é um passeio maravilhoso entre a tênue linha que separa ou une a ficção à realidade. Cada página nos envolve com a história de resistência de 7 mulheres impostas a repressões e véus; com seu perfume, suas cores e sonhos; além de trazer uma análise magnífica sobre obras consagradas na literatura mundial.
Vale à pena!


Vejamos algumas palavras:
"A realidade se tornou tão insuportável, ela respondeu, tão árida, que tudo que consigo pintar agora são as cores dos meus sonhos." (p.22)
Sobre Nabokov: "Ele diz de si mesmo que é um escritor que pinta palavras." (p.25)
"Meu paraíso é azul-piscina!" (p.26)
Com estas palavras, convido os caros companheiros de jornada literária a pensar e retratar:
Qual a cor dos seus sonhos?
Qual a cor das suas palavras?
Qual a cor do seu paraíso?
Deixe aqui um recadinho compartilhando as suas cores!!!
Saudações Literárias!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Cartas perto do Coração & I Don't Want To Talk About It - letra e música

Caros, esta música traduz um pouco dos sentimentos demasiados, das pessoas que amam demais e que eternizam o tempo nos segundos, dias e noites.
Uma homenagem a Clarice Lispector e Fernando Sabino, em Cartas Perto do Coração


I Don't Want To Talk About It Rod Stewart


I can tell by your eyes that you've probably been crying forever,and the stars in the sky don't mean nothing to you, they're a mirror.I don't want to talk about it, how you`ve broken my heart.

If I stay here just a little bit longer,

If I stay here, won't you listen to my heart, ohh my heart?


If I stand all alone, will the shadow hide the color of my heart;blue for the tears, black for the night's fears.

The stars in the sky don't mean nothing to you, they're just a mirror.I don't want to talk about it, how you broke my heart.If I stay here just a little bit longer,

if I stay here, won't you listen to my heart, ohh my heart?

my heart, ohh my heart, this old heart.

I don't want to talk about it, how you´ve broken my heartIf I stay here just a little bit longer,

if I stay here, won't you listen to my heart, ohh my heart?

My heart, ohh my heart.

http://www.vagalume.com.br/rod-stewart/i-dont-want-to-talk-about-it-traducao.html#ixzz1rhXGSnDI

SAudações literárias

terça-feira, 10 de abril de 2012

Cartas Perto do Coração - mais que cartas, a alma de Fernando Sabino e Clarice Lispector

Caros amigos e companheiros de jornada




Estava arrumando o acervo quando encontrei entre as prateleiras um livro que há muito desperta uma paixão imensa. Trata-se do maravilhoso Cartas Perto do Coração – uma coletânea de cartas escritas entre Fernando Sabino e Clarice Lispector.

Que Clarice Lispector é paixão antiga, desde a minha dourada adolescência, é sabido por muitos. Mas Fernando, talvez por resistência irracional, talvez por preguiça de leitora assumida, só despertou a minha paixão agora, através destas cartas. Quando vi este livro, foi como se estivesse encontrado Clarice rediviva na minha frente. Instantaneamente uma onda de alegria e contentamento me tomou. Abracei, cheirei e beijei o livro. Encantei-me e imediatamente abri uma carta aleatoriamente.

Estava lá Fernando falando para Clarice, indagando sobre as suas tristezas (as dela), questionando sobre a ausência de sorriso:

“Clarice, antes de tudo, como vai você? Ou antes ainda, como fica você? Porque você por dentro não vai bem não, Clarice Lispector, você por três vezes já se esqueceu de sorrir quando era preciso, e se alguma coisa acontecer bem engraçada, bem engraçadinha, por exemplo a menininha de amarelo sair correndo atrás do passarinho e não pegar, você vendo é capaz de chorar.” ( Old, Greenwich, 03/08/1946)

Imediatamente me encantei com Fernando, com tamanha sensibilidade. Voltei algumas páginas para ver do que se tratava. De qual tristeza Fernando falava? Que tipo de ausência Clarice estava vivendo? E encontrei:

“Tenho lido a Imitação de Cristo, que tem me purificado às vezes. Mas não sei aprender ainda a desistir e tenho mesmo medo de desistir e me entregar porque não sei o que virá daí. Até agora eu mesma me ergui sempre mas é um esforço muito grande e naturalmente estou bem cansada. (Carta de Berna, 27/07/1946)

Mais cartas e mais revelações. Os comentários a respeito de diversas obras das décadas de 40 e 50, contos e escritores, como pode ser visto no trecho a seguir:

"Fernando, estou lendo o livro de Guimarães Rosa, e não posso deixar de escrever a você. Nunca vi coisa assim! É a coisa mais linda dos últimos tempos. Não sei até onde vai o poder inventivo dele, ultrapassa o limite imaginável. Estou até tola. A linguagem dele, tão perfeita também de entonação, é diretamente entendida pela linguagem íntima da gente - e nesse sentido ele mais que inventou, ele descobriu, ou melhor, inventou a verdade." (11/12/1956)

Muito mais que isso, que a Suíça, a cidade de Nova York, Ipanema. São os lugares da alma de Fernando e Clarice. As incertezas, a separação, o nascimento dos filhos, os amores, a solidão, a reforma da casa, a mudança de endereço e de cardápio vão se configurando num encontro entre o ser e o estar. Assim, mais que revelar o estado das coisas e o espírito das pessoas, Cartas Perto do Coração aproxima o leitor de retalhos da vida dos escritores, possibilitando um encontro de si mesmo, a cada carta.

O aprendizado vai além das ações, perpassa as reflexões, que de tão simples são tão grandiosas:

“Viver devagar é que é bom, e entreviver-se, amando, desejando e sofrendo, avançando e recuando, tirando das coisas ao redor uma íntima compensação, recriando em si mesmo a reserva dos outros e vivendo em uníssono. Isso é que é viver, e viver afinal é questão de paciência.” (Carta de Fernando para Clarice, em 06/06/1946)

“E o tempo se conta mesmo em anos. Deus me livre se fosse em dias. É como crescer ou envelhecer que só se vê em anos. Como é que se pode ver a curva tão larga das coisas se se está tão próximo como é próximo o dia? Pois se às vezes a palavra que falta para completar um pensamento pode levar meia vida para aparecer. Com máximas como esta é que Ataulfo de Paiva deve ter entrado na Academia.” (De Clarice para Fernando, em 30/08/1953)

E após estas cartas, então reflito sobre o tempo e a existência, sobre a relação espaço-atitude que tanto inquieta-nos; sobre a velocidade das informações e suas efemeridades. Sobre o eterno que se conta em segundos.

No fim do livro, uma parte não menos importante: Díálogos possíveis com Clarice Lispector. Mais aprendizado e profundidade, mais consciência do ser:
"_ Como é que você resumiria o conteúdo da palavra amor?
_ Amor é dádiva, renúncia de si mesmo na aceitação do outro. Amar o próximo como a si mesmo e a Deus sobre todas as coisas." (página 213)

Caros, leitura feita, leitura recomendada. Vamos nos encantar e nos descobrir na leitura destas cartas que mais de coração, falam de alma, da vida e do viver.

Saudações Literárias!

Meu Epitáfio - Cora Coralina

No dia 10 de abril lembramos a morte da escritora Cora Coralina (Ana Lins do Guimarães Peixoto Brêtas) em Goiânia - GO, em 1985


Em meu epitáfio, Cora revela a percepção que tem de si mesma e, nesta viagem- imagens e sentidos, nossa doce Cora se eterniza.

Hoje é dia de Cora!
 
 
Meu epitáfio – Cora coralina


Morta... serei árvore,
serei tronco, serei fronde
e minhas raízes
enlaçadas às pedras de meu berço
são as cordas que brotam de uma lira.

Enfeitei de folhas verdes
a pedra de meu túmulo
num simbolismo
de vida vegetal.

Não morre aquele
que deixou na terra
a melodia de seu cântico
na música de seus versos.